sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Total abandono: Maracanã fede, está sujo e sem 7 mil lugares



O Maracanã está entregue aos gatos, enquanto o governo estadual e a Maracanã S.A. (Odebrecht e AEG) dizem não ter responsabilidade pela manutenção do estádio — cuja reforma custou R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos. A sujeira, a degradação, a falta de luz, os restos de material dos Jogos Olímpicos e os muitos gatos que moram no complexo esportivo ajudam a deteriorar a arena, reformada em 2013.
Na quarta-feira, O GLOBO entrou com exclusividade no estádio e constatou seu estado de abandono. Governo e concessionária responsabilizam o Comitê Organizador Rio-2016 por ter deixado muita coisa por fazer após os Jogos do Rio, fato admitido pela própria entidade. E que isso, junto à falta de manutenção, mudou a cara do estádio — para pior. O governo afirma ter notificado duas vezes o comitê sobre as inconformidades.
Qualquer frequentador assíduo do Maracanã que entrasse no estádio na quarta-feira, dia da visita do GLOBO, se surpreenderia ao encontrar vidros quebrados, portas que não fecham, sete mil cadeiras faltando, buracos na parede e uma arquibancada suja e ainda com restos de comida e bebida derramados durante o Jogo das Estrelas, organizado por Zico. A partida, que levou quase 60 mil pessoas ao estádio, ocorreu em 28 de dezembro. Uma semana depois, o lixo ainda está lá.

Assista:


As cadeiras que foram repostas não respeitaram o desenho original do mosaico, deixando parte da arquibancada com cara de remendo — diferente do que foi entregue para a Rio-2016. Os assentos para acompanhantes de deficientes físicos foram recolocados na parte superior do estádio, onde não é possível acessar em cadeira de rodas.
Na parte mais nobre do estádio, os camarotes parecem ter sido saqueados, e alguns nem balcão têm. Todo o mobiliário, que contava com sofás, cadeiras, pufes e mesas, foi estocado em salas. Boa parte estragou e está sem condição de uso. Os camarotes estão praticamente vazios. Poucos possuem cadeiras. Na parte interna, o bar ainda tem restos de comida; em algumas áreas, as televisões foram retiradas e ainda não foram recolocadas.
Ao olhar para o centro do campo, a situação não não é animadora. A grama seca já é vista nas laterais e no centro. E não é por uso excessivo: é por falta de água e cuidado. Uma simples caminhada no campo, sem fazer força, é suficiente para que tufos de grama seca se desprendam da terra.
O gramado foi instalado no fim de outubro, a pedido do Flamengo. O rubro-negro, que mandou a partida contra o Corinthians, no dia 23 daquele mês, pagou pela instalação da grama, segundo confirmaram fontes do clube. Além disso, na ocasião, a diretoria do Flamengo precisou montar uma força tarefa para limpar o estádio e até ajudar a instalar cadeiras.
Durante essas partidas que aconteceram depois da Olimpíada, Flamengo, Fluminense e Vasco não puderam cobrar um preço maior na área do “Maracanã Mais” (uma espécie de setor VIP do estádio) porque as cadeiras numeradas estavam fora de ordem e era impossível oferecer o serviço aos torcedores.

NEM LUZ TEM
Sem saber quem é o seu contratante — governo do estado ou concessionária — e sem receber, a Greenleaf, empresa responsável pela manutenção do gramado, não está trabalhando no Maracanã. Além disso, por causa da falta de luz que atinge o estádio desde sexta-feira, dia 30, não é possível fazer irrigação do campo. O último corte foi feito para o jogo festivo de Zico, a pedido da organização do evento. Com forte calor e poucas chuvas, a grama está ressecada e morrendo aos poucos.




Já na parte interna — salas e escritórios —, o cheiro de mofo é perceptível. O material estocado não está em boas condições. Nos corredores internos, há buracos feitos nas paredes para passagem de fios, rebocos caídos, remendos à mostra, infiltrações e partes de forro abertas. Nas rampas de acesso ao estádio, elevadores e escada, é possível ver ainda parte da identidade visual do Comitê Rio-2016, do Comitê Olímpico Internacional e do Comitê Paralímpico Internacional.
O diretor de comunicação do Rio-2016, Mário Andrada, afirma que o comitê entregou o estádio em 30 de outubro como estipulava o Contrato de Autorização de Uso (VUA, sigla em inglês). Ele, no entanto, reconheceu que, pelo contrato de devolução assinado com o governo do estado, ainda há “reparos para serem feitos”, e garantiu que as intervenções serão feitas, mas ressalta que o documento não estipula uma data.

POSIÇÃO DO GOVERNO
Como o estádio não está nas mesmas condições em que foi entregue para o Comitê, a Maracanã S.A. se recusa a recebê-lo de volta e, por nota, manifestou-se:
“A concessionária até o momento não reassumiu o Maracanã e o Maracanãzinho devido ao descumprimento do Termo de Autorização de Uso por parte do Comitê Organizador Rio-2016. O VUA prevê que o comitê organizador deverá manter o complexo sob sua administração até que tenha concluído todas as obras de reparação de danos e avarias causadas durante o uso, a fim de que as instalações retornem ao seu estado original. Apenas após o cumprimento dessas obrigações, o complexo retornará à Concessionária.”

G1

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